Uma caravana organizada pela Secretaria de Turismo do DF (Setur) esteve nesta semana em Ceilândia para promover ações destinadas a colocar a cidade no roteiro turístico do Distrito Federal. Essa foi a sexta edição do programa Turismo em Ação, que está sendo realizado nas regiões administrativas do DF para incluí-las nas rotas de atrações turísticas da unidade do país que abriga a capital da República.

“O legado das ações do Governo do Distrito Federal em Ceilândia vai representar uma virada de chave na cidade”Vanessa Mendonça, secretária de Turismo

Turismo na Casa do Cantador

O som dos novos tempos ecoou na Casa do Cantador, onde foi inaugurado o Centro de Atendimento ao Turista (CAT). Lá também foram entregues carteiras nacionais do artesão a artistas locais. E em seguida, houve conversas com empresários e visitas a pontos de turismo com potencial de atrair mais turistas.

As atividades contaram com a presença da secretária do Turismo, Vanessa Mendonça; do administrador da Ceilândia, Marcelo Piauí, e do diretor da Casa do Cantador, José do Cerrado. Também prestigiaram a iniciativa o presidente da Feira Central de Ceilândia, Jonathan Araújo; a coordenadora do Sesc Ceilândia, Elizângela Barros; o gerente-geral da Agência Ceilândia Sul do BRB, Aloísio Borges, e o secretário executivo da Setur, Rodrigo Costa. Além disso, a mobilização contou com representantes de órgãos de segurança, líderes locais, artesãos e empresários do setor.

“Aquele turista que chegar hoje ao aeroporto e que chegar a Brasília vai saber o que é a cidade de Ceilândia e o que ela pode oferecer”Marcelo Piauí, administrador de Ceilândia

Legado das ações

“O legado das ações do governo do Distrito Federal em Ceilândia vai representar uma virada de chave na cidade”, projetou a secretária de Turismo. Ela apontou que o turismo representa apenas uma parte do trabalho integrado que está sendo desenvolvido em todas as regiões administrativas por todas as secretarias. “O Turismo em Ação vai mapear o turismo gastronômico, o turismo arquitetônico, o turismo rural, o ecoturismo, o turismo de experiência e todas as potencialidades desta importante cidade do Distrito Federal”, detalhou Vanessa Mendonça.

O administrador de Ceilândia ressaltou a importância das ações de fortalecimento do turismo na região desenvolvidas pela Setur por meio do programa Turismo em Ação. “Aquele turista que chegar hoje ao aeroporto e que chegar a Brasília vai saber o que é a cidade de Ceilândia e o que ela pode oferecer”, observou.

Olhar diferenciado

Marcelo Piauí avisou que agora Ceilândia está estruturada para dar boas-vindas aos visitantes. Segundo o administrador, Ceilândia precisa desse olhar diferenciado para abrir as portas e mostrar as suas belezas.

“O CAT está preparado para chamar esse turista para visitar a cidade, conhecer as feiras, para conhecer a história de Ceilândia, a riqueza da área rural e toda a rota turística que está sendo preparada. As pessoas vão se surpreender com Ceilândia”, afirmou.

Cultura nordestina

Opinião semelhante foi compartilhada pelo presidente da Feira Central de Ceilândia, um dos atrativos locais que reúne 463 comerciantes.

“Sou da segunda geração de feirantes e sei o quanto o comércio e a gastronomia são importantes para o turismo da nossa cidade”, pontuou Jonathan Araújo, destacando o perfil cultural da cidade.

“A Feira Central é considerada um dos maiores pontos da cultura nordestina fora do Nordeste. O visitante encontra de tudo: roupas, carnes, temperos, queijos, mas o ponto forte do local é a gastronomia nordestina”, arrematou.

Linha histórica

Durante visita a Ceilândia, Vanessa Mendonça destacou a importância do Fundo Geral do Turismo (Fungetur) no fomento de atividades turísticas, inclusive do artesanato. O Fungetur estabeleceu uma linha de crédito histórica junto ao Banco de Brasília (BRB) para operar o repasse de R$ 521 milhões feito pelo Ministério do Turismo.

“O setor do turismo foi o que mais sofreu com a pandemia; no entanto, vai ser o primeiro a se recuperar”, afirmou a secretária de Turismo durante a inauguração, na terça-feira (25) do CAT na Casa do Cantador.

“Essa linha de crédito pode ser a ajuda que os empresários e empreendedores precisam para se preparar para a retomada das atividades, reformando ou criando novos espaços, produções ou atrações nos seus empreendimentos”, detalhou.

A subsecretária de Promoção e Marketing da Setur, Daniele Faria Lopes, que fez a abertura do evento, explicou que a pasta está fazendo uma ponte para informar os empresários sobre o Fungetur e possibilitar a requisição do crédito junto ao BRB.

“Para ter acesso a essa linha de crédito, é preciso estar cadastrado no sistema de cadastro de pessoas físicas e jurídicas que atuam no setor de turismo, o Cadastur. É uma indústria com alto poder de transformação, e a população precisa se apropriar dos produtos do turismo”, acrescentou a subsecretária.

Ações em Ceilândia vão mapear as potencialidades turísticas da maior cidade do DF, como a Casa do Cantador, projeto de Oscar Niemeyer, que passa a abrigar o Centro de Atendimento ao Turista

Obra do arquiteto

Vanessa Mendonça ressaltou ainda o simbolismo de o Centro de Atendimento ao Turista estar localizado dentro da Casa do Cantador. “Essa magnífica obra arquitetônica é a única feita por Oscar Niemeyer fora do Plano Piloto”, disse. “Ter um CAT aqui significa abrir as portas do turismo da cidade”. Anunciou que vai criar a rota de Ceilândia e disponibilizá-la pelo Google Earth. “Aqui o turista vai ter acesso a todas as informações das quais ele precisa para conhecer a cidade. Ceilândia também é turismo, é gastronomia, é cultura”, antecipou.

Qualificação 

Na oportunidade, também foram entregues os certificados de qualificação aos servidores que fizeram o curso de atendimento do CAT, inaugurado durante o evento. Assessor da Administração de Ceilândia, Diego Ribeiro Otaviano recebeu o certificado e considerou a capacitação um ganho profissional. Para ele, foi uma oportunidade de conhecer uma Brasília até então desconhecida, uma vez que representantes de todas as regiões administrativas tiveram a oportunidade de mostrar um pouco da sua cidade.

Carteira do Artesão

A entrega das carteiras nacionais do artesão foi outro ponto alto do evento. A mestre artesã Maria Dalva Barbosa Oliveira, 69 anos, participou da lista de 13 artistas que receberam a Carteira Nacional do Artesão. Dona Dalva faz flores do cerrado desde 1973. Hoje tem uma banca na Feira da Torre de TV e se orgulha de ter criado os cinco filhos com a renda do artesanato.

“O artesão tem que lutar sempre, pois é uma vida de altos e baixos. O mais importante é não deixar o sonho morrer e passar o ofício para as próximas gerações. A Carteira do Artesão é uma vitória e um reconhecimento que recebo com muita alegria”, disse, orgulhosa.

Atendimento ao turista

Na oportunidade, também foram entregues os certificados de qualificação aos servidores da administração local que fizeram o curso de atendimento do CAT, inaugurado durante o evento. O assessor da Administração de Ceilândia, Diego Ribeiro Otaviano, recebeu o certificado e considera a capacitação um ganho profissional. Para ele, foi uma oportunidade de conhecer uma Brasília até então desconhecida, uma vez que representantes de todas as regiões administrativas tiveram a oportunidade de mostrar um pouco da sua cidade.

Visitas técnicas

A caravana do programa Turismo em Ação aproveitou a oportunidade e fez visitas técnicas a três empreendimentos de turismo rural e ecoturismo localizados na região: a Chácara do Galo, o Balneário Gravatá e a Chácara das Águas. O objetivo foi identificar as melhorias que precisarão ser feitas, como acesso, sinalização e infraestrutura para entregá-los à comunidade e fomentar o turismo local.

Inicialmente, a Chácara do Galo foi pensada para produzir de hortaliças pelo casal de libaneses Imad Aboul Ezz e Nujoud Barahd. Mas eles decidiram ampliar as atividades com a crise gerada pela pandemia e unir turismo rural, gastronômico e de lazer num só espaço.

Ceilândia tem empreendimentos de turismo rural com potencialidade para ampliar a clientela, como o Clube Campestre Gravatá

Inspiração em Gramado

Para isso, Imad Aboul foi a Gramado (RS) buscar referências para o empreendimento. Hoje a Chácara do Galo oferece duas piscinas – sendo uma semiolímpica –, salão de festas, um restaurante que valoriza as culinárias árabe, libanesa e goiana; coreto com piso de vidro sob um tanque onde se criam tilápias e três chalés. Está sendo construído um segundo salão com previsão de camarim para a noiva e mais quartos para hospedagem.

“Podemos atender até mil pessoas por dia”, explicou o empresário. “No entanto, neste período de pandemia, estamos restringindo o atendimento a grupos de família. Nos finais de semana, recebemos quase 250 pessoas por dia. Nós acreditamos que o sucesso é fruto do cuidado e das atrações que oferecemos. Estamos nos reinventando pelo turismo rural, gastronômico e de entretenimento.”

Parque aquático

Outra opção que o Turismo em Ação conheceu é um grande empreendimento familiar: o Clube Campestre Gravatá. A estrutura oferece um parque aquático com oito piscinas, tobogãs, restaurantes, trilhas e uma praia na nascente do rio, e tem capacidade para receber até 3,5 mil pessoas por dia. O proprietário, Jaime Pereira Sardinha, afirma que a maior gratificação é quando recebe as crianças de escolas públicas e privadas e pode falar sobre a flora local, da qual cuida pessoalmente.

Turismo da gema

O último empreendimento visitado fica às margens do Rio das Pedras, tem duas piscinas, restaurante, churrasqueiras e oferece trilhas e banho no rio. Além disso, os amantes de pedras preciosas podem conhecer uma espécie de museu de gemas construído pelo pai dos proprietários Jamene e Palom Braga.

O visitante pode levar sua comida e bebida, pagando apenas a entrada. O Clube das Águas é uma excelente opção de ecoturismo, de turismo de aventura, rural e de lazer. Os proprietários apostam na retomada da atividade pós-pandemia e estão investindo na estrutura.

“Nunca tivemos esse apoio para fortalecer o turismo na região. Hoje tenho segurança de que a Chácara das Águas vai se tornar um ponto de referência do ecoturismo e do turismo rural do Distrito Federal. Estamos comprando mais duas piscinas e três ofurôs; todos terão água aquecida para quem não quiser água fria do rio. Quando a pandemia acabar, estaremos prontos para receber o visitante com uma estrutura melhor”, contou Palom.

O presidente do Sindicato de Turismo Rural e Ecológico do DF e Entorno, Fernando Mesquita, está no segmento do turismo rural há mais de dez anos e avalia que as iniciativas de promoção do turismo da Setur, neste momento de pandemia, são de extrema relevância. “O turismo está sofrendo muito com a pandemia. No entanto, o turismo rural cresceu 40% porque as pessoas, uma vez que não podem mais viajar, buscaram conhecer os espaços mais próximos. A secretária Vanessa Mendonça está ajudando a dar visibilidade a esse segmento”, comemorou Fernando.