Brasília abre 3ª Campanha Nacional de Fissura Labiopalatina

Programação inclui cirurgias corretivas em 17 pacientes com a deformidade que atinge lábio, mucosa e céu da boca

Promovida em mais 22 unidades da Federação, a 3ª Campanha Nacional de Fissura Labiopalatina foi aberta nesta segunda-feira (2), no auditório da Escola Superior de Ciências da Saúde, no Setor Médico-Hospitalar Norte.

O evento, que vai até 6 de outubro, busca conscientizar a população sobre a importância do tratamento da deformidade craniofacial, principalmente antes da fase escolar, de forma a preservar o desenvolvimento social e psíquico e a aprendizagem da criança.

De amanhã (3) ao dia 5, serão feitas no Hospital Regional da Asa Norte (Hran) 17 cirurgias em pacientes — entre crianças e adultos — que estão em acompanhamento e aguardam o procedimento.

5 milQuantidade de pessoas que nascem por ano no Brasil com fissura labiopalatina

No dia 4, será promovida a Jornada Interdisciplinar de Pacientes com Fissura Labiopalatina. No sábado (7), das 9 às 13 horas, haverá sessão, no Cine Brasília, para crianças submetidas à cirurgia corretiva.

O coordenador do Ambulatório de Fissurados do Hran, Marconi Delmiro, explica que quase 5 mil pacientes no Brasil nascem por ano com a deformidade, mas pouco mais da metade consegue tratamento adequado.

Em 2016, 139 pacientes foram operados na unidade. Neste ano, foram 130 até agora. “Há um grande impacto causado por essa deformidade craniofacial já a partir do momento do diagnóstico, porque os pais têm a expectativa de um bebê saudável”, observa o médico.

Por isso, acrescenta, “acolhemos os pais de forma precoce para conduzir o tratamento o mais rápido possível de forma a inserir as crianças no convívio social, sem sofrer qualquer tipo de bullying e ter uma vida normal”, enfatizou o médico.

Segundo ele, as crianças com o diagnóstico podem ter prejuízos na fala e tendência a problemas de depressão, porque acabam se tornando recolhidas e tímidas.

A doença e as formas de tratamento

A fissura labiopalatina é uma malformação que acomete lábio, palato (céu da boca) musculatura, mucosa e, muitas vezes, o osso. Trata-se de uma fenda que pode atingir apenas um lado, ou seja, ser parcial, ou ambos os lados, classificada bilateral.

“A operação pode ser feita a partir dos 6 meses de vida, no caso do lábio, e entre um ano e meio e dois, se for no céu da boca”Marconi Delmiro, coordenador do Ambulatório de Fissurados do Hran

A deformidade pode ser diagnosticada antes do nascimento, no útero na mãe, por meio da ultrassonografia morfológica no pré-natal. O Hran, que teve o serviço reconhecido oficialmente em 2013, é referência no tratamento de fissuras labiopalatinas.

O tratamento é multidisciplinar, com equipe de psicólogos, enfermagem e médicos, entre outros profissionais. “É importante tranquilizar a família, do nascimento até a conclusão do tratamento. A operação pode ser feita a partir dos 6 meses de vida, no caso do lábio, e entre um ano e meio e dois, se for no céu da boca”, explica o médico.

Segundo ele, o tratamento depende das condições clínicas do paciente, que muitas vezes podem estar associadas a outras síndromes, agravando a deformidade. “Temos um protocolo de tratamento que varia de acordo com o caso. Há pacientes que são submetidos à cirurgia em torno de cinco vezes ou até mais”, descreve.

Participam do evento representantes do Sindicato dos Médicos, da Associação Médica de Brasília, da Sociedade Brasileira de Pediatria e da Smile Train, organização norte-americana que oferece suporte para o tratamento no Brasil inteiro e em mais 8 países.