Uma trajetória de lutas e vitórias

Acilino secretárioDe terno e gravata, atendendo a todos com um sorriso e muita simpatia é impossível localizar o homem de currículo impressionante antes de assumir cargos públicos e políticos. Acilino Ribeiro foi um guerrilheiro, preso duas vezes pela ditadura, exilado no exterior, treinado na Rússia e na Líbia, a ponto de se tornar segurança de Kadaff, passou por todos os países onde havia qualquer risco do “imperialismo americano” estender seu domínio.

Começou muito cedo, com 15 anos de idade. “Minha família veio para Brasília em 1967, meu pai fazia parte do MDB, um partido de oposição ao governo militar. Comecei a me envolver politicamente na militância no período da ditadura, ingressei no movimento estudantil.

Acilino revoluçãoNão era exatamente um  ativista, era um simpatizante. Após minha prisão, fui recrutado e passei a militar pela Frente de Libertação Estudantil  (órgão Estudantil), em seguida entrei para o Partido Comunista Brasileiro (PCdoB). À partir desta época, o regime começou a endurecer, veio a AI-5, fui preso quatro meses depois. O AI-5  foi uma década de trevas  em que vivemos sem nenhum direito. Até Habeas Corpus estavam suspensos. Se você fosse preso, ficava preso. Se algum advogado quisesse tirar, ficava preso também”,  diz Acelino.

Depois deste período Acilino foi para o MR-8, um  movimento revolucionário.”Porque no regime, seja ele qual for, só se tem três opções: Institucional, o qual você se candidata a algum cargo, disputa eleições à cargos públicos, a luta de massa e a luta armada. Se na luta institucional não lhe dão espaço, você não pode ser candidato, não pode fazer oposição ao governo, não pode discordar do governo. Então se parte para a luta de massa, que se caracteriza pelas manifestações populares greves, passeatas, ocupações, ou seja,  organizações em que a massa esteja presente. Atuações em sindicatos, associações de moradores, grêmios estudantis, centros acadêmicos, etc. se lhe é proibido fazer isso, através da luta de massa, então só resta uma opção, que é a luta armada. Na verdade não como opção, mas como reação. Porque se você foi proibido  da luta institucional, na luta de massa você foi preso, o que não é prá ser, então tem que reagir para garantir seus direitos”, diz.  Foi o que aconteceu  com Acilino. Ele não agiu militarmente contra a ditadura. Agiu, foi preso e não queria ser preso pela segunda vez, então foi para a luta armada. Na ditadura a pessoa era presa, torturada e morta. “Foi exatamente nesse período que eu tive duas experiências importantes. A primeira de que a minha geração, que acreditou na utopia revolucionária, de fazer política com idealismo. Era uma época em que a morte era o preço da coragem, os Kamicazes que sobreviviam, tinham peito e coragem para enfrentar a ditadura. Nesse período, duas coisas me marcaram muito. A primeira foi que minha mãe arriscou a própria vida para me tirar da prisão da ditadura, então ela é minha horoina. A outra foi que meu irmão Ribeiro gostava muito de futebol, não gostava muito de política, então minha mãe lhe deu a incumbência de sempre andar comigo, me proteger e me vigiar, até na universidade enquanto eu fazia o discurso e participava para fazer as articulações políticas. Era ele quem me protegia. Meu pai, que era professor de História, foi quem me deu os primeiros ensinamentos políticos. Então meu pai, minha mãe e meu irmão eu tenho muita admiração. Meu pai, meu professor. Minha mãe, minha heroína. Meu irmão, meu ídolo. São pessoas que tem minha admiração e gratidão. Meu irmão, Raimundo Ribeiro, é para mim um exemplo de ética na política. Gostaria que muitos políticos fossem como ele: sério e honesto. De uma nova geração de políticos que Brasília precisa”. Se emociona o  Sub Secretário.

Acilino foi para o Oriente Médio e lá fez seu treinamento  de guerrilha. Somente quem tinha treinamento de guerrilha sobreviveu. Estudou  Política no Leste europeu e voltou para o Brasil, com uma grande bagagem, onde se tornou o mais jovem  comandante de guerrilha, com a missão de se infiltrar dentro das Forças Armadas, um dos maiores perigos.

Na luta contra a ditadura existiam dois tipos de militante: o clandestino e o semi clandestino. O clandestino era aquele que  andava com um cartaz pregado nas costas. Era considerado terrorista. O semi clandestino era aquele que ninguém sabia quem era. Se infiltrava nos meios e passava informações. Foi nisso que Acilino se preparou. Ele não atuava  no grupo tático. Era da Inteligencia. Tinha as missões mais secretas e mais perigosas, pois podia estar sendo vigiado e cair em armadilhas. Era morto e sumia, ninguém ficava sabendo. “Depois a organozação cometeu o erro  de me tirar da frente reservada, que era uma especialidade do serviço secreto da guerrilha, para me colocar na frente de massa, para fazer greves, passeatas e manifestações. Confesso que não fui treinado para aquilo. Tanto que depois de um mês, fui preso. Podia ter continuado no Hospital das Forças Armadas (HFA), infiltrado, onde recebia e repassava as informações. Foi um período muito bom”, relembra. Acilino teve no Partido Comunista uma grande escola de formação política e no MR-8 uma agradabilíssima experiência de companheirismo. “Então conseguimos derrubar a ditadura. Foi como uma transição. A ditadura foi uma transição. Na verdade eu chamo de “transição negociada” com os militares. Não quer dizer que todos os militares concordaram. As atrocidades do regime de forma nenhuma tinha militares bons, nacionalistas, que não viam na doutrina de Segurança Nacional, nem no conceito de inimigo interno, o combate da sociedade civil. Da mesma forma que tinha civil que não concordava com a oposição e estava do lado dos militares como Delfim Neto e Paulo Maluf, que eram “filhotes da ditadura”, tinham grandes generais com objetivos nobres. Então, foi o fim da ditadura, também pelas suas contradições, pela mobilização popular e a luta de massas que veio posterior à luta armada e quero concluir prestando minhas homenagens aos companheiros que foram presos, torturados e morreram para não entregar a nós que sobrevivemos”, diz Acilino.

Depois que a ditadura foi derrubada,  Acilino se formou em Direito, fez economia na Universidade Católica. Também passou no vestibular  da UnB, mas foi proibido de se matricular por não ter  “bons” antecedentes, pois era comunista  procurado. Ao se dirigir à delegacia para buscar o atestado de antecedentes acabou ficando detido.

Considerado um internacionalista se engajou em causas como a defesa dos cinco cubanos presos nos EUA e recentemente libertados pelo presidente Obama; na defesa da Causa Palestina, pela independência e a libertação do povo Saharauy, e na luta pela Paz Mundial onde é sempre um dos principais ativistas do FSM – Fórum Social Mundial. Foi um dos principais coordenadores da campanha de Eduardo Campos a Presidência da República e posteriormente o Coordenador de Articulação com os Movimentos Sociais e Mobilização Popular da campanha de Marina Silva. Tendo feito também o mesmo trabalho na campanha de Rodrigo Rollemberg. É considerado um dos principais ideólogos da ala  mais a esquerda do PSB.

Nessa minha volta a Brasília, na militancia academica, tenho o compromisso de caminhar junto com movimentos sociais, que me troxe onde estou  no momento.

Acilino hojeAqui em Brasília estamos caminhando para o grande projeto de participação popular sob a orientação do governador  Rodrigo Rollemberg e sob a coordenação do secretário Marcos Dantas, presidente regional do PSB, que são duas pessoas que mais tem buscado ampliar a participação popular e o diálogo com os movimentos sociais e com a sociedade civil, procurando resolver da melhor forma possível as demandas.

Então foi no PSB que reencontrei velhos companheiros, pois já participava do partido no Piauí.

E finalizo dizendo que vamos caminhar juntos por Brasília, nesse momento de crise nacional. Dessa forma esperamos  todos cheguemos a um entendimento, pois o Brasil precisa de um governo de conciliação  e unidade nacional e para  isso é necessário que haja muita moderação e que é na mesa do diálogo que chegamos ao entendimento

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